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Falta de subsídios aos transportes é o principal entrave para desenvolvimento no Brasil

10/11/2017

Sistemas de transportes públicos com aplicativos de celulares que permitem maior interação entre os operadores e os passageiros; vários serviços e comodidades a bordo de um ônibus urbano, como acesso com qualidade à internet e pacote exclusivo de entretenimento; carregadores de celulares e notebooks em qualquer ponto dentro do veículo e, principalmente, as ruas e avenidas das cidades com os não poluentes e mais silenciosos ônibus elétricos.

Tudo isso já poderia ser realidade nos médios e grandes complexos urbanos no Brasil se o poder público participasse mais e, a exemplo do que já ocorre nas cidades de países mais desenvolvidos, subsidiasse pelo menos parte dos transportes coletivos.

Os subsídios, entretanto, não deveriam ser apenas para cobrir eventuais rombos financeiros dos sistemas, mas para avanços na qualidade de prestação de serviços, melhoria da imagem do transporte público junto à sociedade (o que poderia fazer com que mais pessoas deixassem o carro em casa) e para deixar os sistemas eficientes.

A opinião é do presidente da Metrocard, associação que reúne as empresas da região Metropolitana de Curitiba, Lessandro Zem, e do vice, Haroldo Isaak.

Ambos participaram da Busworld Europe 2017, maior feira de mobilidade urbana da Europa, que ocorreu no final de outubro em Kortrijk, na Bélgica, e reuniu quase 400 expositores de 36 países.

“Enquanto tratarem o transporte público unicamente custeado pela tarifa, ficará cada vez maior o abismo das tecnologias, avanços operacionais, conforto e qualidade”, disse Lessandro.

O entendimento dos executivos vai ao encontro do que o consultor e jornalista da área de transportes, José Carlos Secco, que também esteve cobrindo o evento. Secco disse que o ônibus é um dos meios de transporte mais adequados às necessidades em relação à mobilidade e que a gestão pública, em conjunto com os operadores, deve proporcionar avanços para os sistemas no Brasil.

“O ônibus é sim um modal fundamental para a mobilidade e para o bem-estar da sociedade e é visto e tratado desta maneira no mundo afora. Não há retórica. Os cidadãos, querendo ou não, vão precisar utilizar o ônibus. É fato. Então, o dever da gestão pública, dos operadores e da indústria é prover o usuário com o melhor”, disse o consultor, que ainda destacou que os trólebus voltam a ser vistos como alternativas interessantes para aliar baixos custos de operação e preservação ambiental.

O trólebus como tendência mundial já com modernização nos modelos também foi destacado pelo vice-presidente global da Iveco Bus, Sylvain Blaise, em visita ao Brasil, no início desta semana, durante o Iveco Bus Experience, um programa em parceria com o setor acadêmico para discutir como deve ser o transporte coletivo no Brasil.

“A Iveco acredita sim no trólebus, que evoluiu. É uma solução de mais de 100 anos que agora volta a ser considerada pelo mundo desenvolvido pelo baixo custo e sua modernização. Hoje os trólebus possuem baterias, que permitem que trafeguem por trechos de linhas (e não somente em casos de emergência) sem estarem conectados aos fios aéreos. Atualmente, a Iveco tem cerca de dois mil trólebus em circulação” –disse o executivo.

Sobre tecnologia e modelos futuros de transportes para o Brasil, o presidente da Metrocard, Lessandro Zem, ainda afirmou, ao Diário do Transporte, que o Projeto CIVI, selecionado pela prefeitura de Curitiba, num processo de manifestação de interesse, para reformular os transportes em parte da capital paranaense e da região metropolitana, reúne as principais características dos veículos e sistemas apresentados no evento internacional.

Pela proposta, seria criada uma malha de corredores de aproximadamente 100 quilômetros de extensão, divididas em cinco eixos troncais: Aeroporto/Centro Cívico; Tamandaré/Cabral; Linha Verde; Araucária / Boqueirão; e Norte/Sul.

Haverá estações subterrâneas como as de metrô, em ao menos seis quilômetros desta rede. Os ônibus seriam elétricos puros ou híbridos.

CIVI – City Vehicle Interconnect é a nomenclatura que indica que ônibus, estações, passageiros e os CCOs seriam integrados por meio de tecnologia. Cerca de 300 estações tubos seriam interconectadas por cabos de fibra ótica e os passageiros teriam wi-fi, painéis com informações sobre os horários e as linhas, além de ar-condicionado nos espaços. Hoje a ausência de ar condicionado e a defasagem dos modelos de estações-tubos estão entre algumas das críticas que recebe o sistema de transportes de Curitiba e região.

Via: Diário do Transporte

 

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