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Araçoiaba da Serra o "ar mais puro do país'

11/07/2018

Araçoiaba da Serra localiza-se a 117 km da capital paulista e está inserida na região metropolitana de Sorocaba. É considerada uma das cidades que possui o ar mais puro do país. Sua história permeia importantes acontecimentos e fatos história do Brasil.

Em 1589, o homem branco penetrou pela primeira vez a região então habitada pelos indígenas Tupiniquins. Segundo o livro Araçoiaba: esconderijo do sol (2009, p. 14), a “história de Araçoiaba começou a ser contada a partir do século XVI, com a chegada e movimentação de bandeirantes, caçadores, e mineradores na busca por metais preciosos. O povoamento intensificou-se com a vinda de famílias procedentes de São João Del Rey (MG), e de tropeiros, que começaram a utilizar o vilarejo.”

Com a desapropriação de terras para a Fábrica de Ferro de Ipanema, em 1811, e a reativação da fábrica em 1818 – algo a ser visto com mais detalhamento no item que segue 1.2.1 “Morro Araçoiaba: marco na siderurgia brasileira” – cem famílias ficaram desabrigadas. Parte dessas famílias ocupavam o lado do Morro Araçoiaba voltado para o atual município de Capela do Alto, outra parte habitava a região onde hoje localiza-se a cidade de Araçoiaba da Serra. O alferes Bernardino José de Barros teve sucesso em agrupar uma parte destas famílias no entorno da Capela de Nossa Senhora das Dores. Com a proibição da instalação de uma paróquia chamada de São João do Benfica nas terras da Fábrica de Ferro, o Padre Gaspar Antônio Malheiros, que havia chegada em 1821 para ser o primeiro padre da Paróquia de Ipanema, auxiliou na procura de outro local para a construção de uma igreja para esta comunidade. Com o apoio e trabalho do alferes Bernardino José de Barros, somente em 12 de dezembro de 1825, iniciam a construção de uma capela, substituindo sua padroeira para a Nossa Senhora das Dores, na freguesia de Campo Largo.

O povoamento de Campo Largo decorreu de duas atividades econômicas: a mineração de ferro no Morro Araçoiaba e o tropeirismo, uma vez que era uma típica cidade pouso de tropeiros. Pela cidade passava a estrada que ligava São Paulo às províncias do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. De acordo com o livro Araçoiaba: esconderijo do sol (2009, p. 16), “os tropeiros traziam animais diversos, além de burros, mulas e cavalos do Sul, que por aqui passavam para serem vendidos, tanto em São Paulo como em Minas Gerais, Rio de Janeiro e até em províncias do Nordeste. Posteriormente, com a realização da Feira de Muares, anualmente, em Sorocaba, tropeiros e muitos mineiros adquiriram terras na região de Campo Largo, que, então, pertencia ao município de Sorocaba, e aqui instalaram suas fazendas.” Muitas famílias araçoiabanas descendem de tropeiros que iam buscar tropas xucras no sul para serem negociadas na feira de Sorocaba.

Como muitas cidades do Eixo Sul do Brasil, Araçoiaba da Serra surgiu como um recanto para abrigo de tropeiros, que vinham do Sul para as feiras de muares em Sorocaba. Era, então, conhecida apenas como Campo Largo, até que, aos 14 de novembro de 1826, foi instalada solenemente a freguesia de Nossa Senhora das Dores de Campo Largo de Sorocaba, uma vez que o então Bairro do Campo Largo era apenas conhecido como pouso para tropeiros.

O crescimento e o progresso da paróquia e o movimento político dos moradores e militantes do local, determinaram que a pequena freguesia se tornasse vila. Então, conforme Ata do Auto da Instalação da Vila de Campo Largo de Sorocaba e posse da Câmara da mesma, registrada em 14 de novembro de 1857, Em 19 de dezembro de 1906, a Lei Estadual nº 1.038 eleva a vila à categoria de cidade. Nas divisões administrativas do Brasil, de 1911 a 1933, o município de Campo Largo de Sorocaba compõe-se de um só distrito do mesmo nome.

Com a instalação da Ditadura, por Getúlio Vargas, o município foi extinto pelo Decreto-Lei Estadual no 6.350, de 3 de junho de 1934 e reintegrado na categoria de município, por força da Lei nº 2.695 de 05.11.1936 sendo reinstalado em 27.06.1937. Segundo a divisão territorial de 31 de dezembro de 1936, Campo Largo de Sorocaba figura, simplesmente, como distrito judiciário do município de Sorocaba. Foi reintegrado à categoria de município em 5 de novembro de 1936, sendo reinstalado em 27 de junho de 1937. Nesta divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1937, o município de Campo Largo de Sorocaba figura apenas como um distrito, o Distrito de Campo Largo de Sorocaba.

Em 30 de novembro de 1944, fixou-se o quadro da divisão territorial vigente em 1945-48, os antigos distrito e município de Campo Largo receberam a nova denominação de Araçoiaba da Serra. Em virtude disso, o município de Araçoiaba da Serra (ex-Campo Largo), ficou formado pelos distritos de Araçoiaba da Serra (ex-Campo Largo) e Varnhagem. Este último, criado com partes do território de Araçoiaba da Serra e Sorocaba. Pelo Decreto-Lei Estadual nº 2.456, datado de 30 de novembro de 1953, foi extinto o distrito de Varnhagem e então criado o distrito de Bacaetava, com o mesmo território daquele.

Foi também criado, pelo mesmo decreto, o distrito de Capela do Alto, com território desmembrado do distrito de Araçoiaba da Serra.

Araçoiaba da Serra, teve relevantes participações e diferentes momentos históricos do país. A primeira foi a Revolução Liberal de 1842, a segunda foi a Guerra do Paraguai, a terceira foi a Revolução Paulista de 1932 e a quarta foi a participação na Segunda Grande Guerra Mundial, em 1945, nos campos da Itália, sendo todas com a finalidade de constituir o exército brasileiro, com praças, soldados, tenentes.

Morro Araçoiaba: marco na siderurgia brasileira

Um capítulo especial na história da região onde está hoje o município de Araçoiaba diz respeito à siderurgia brasileira.

De acordo com o livro Araçoiaba: esconderijo do sol (2009, p. 17), Ipanema originou os municípios de Sorocaba, Araçoiaba da Serra e Tatuí, pois teve sua exploração iniciada em 1591, quando os mineradores Afonso Sardinha, à procura de ouro, encontraram ferro na região. Em 1629 estiveram presentes na descoberta da jazida de ferro de Araçoiaba e na construção do Engenho de Ferro. O ferro era tão ou mais importante do que o ouro para a Colônia, pois com ferro podia-se construir utensílios domésticos, instrumentos de trabalho e armas.

O Morro Araçoiaba é considerado um marco na história da siderurgia brasileira uma vez que, em 1591, foi levantado o primeiro conjunto de fornalhas para fundição de ferro no país e também a primeira siderúrgica nacional no final de 1818. Desde a sua existência foi propriedade do governo e, desde o seu início foi foco constante de inúmeras iniciativas pioneiras na geologia, mineralogia e siderurgia. Em 1597 o primeiro engenho de ferro do Brasil funcionava na Serra de Araçoiaba.

A ocupação da região do Morro Araçoiaba tem sua história renovada em 1817, por meio de um alvará de D. João VI, criando a Paróquia da Fábrica de Ferro Ipanema, em louvor a São João Batista. O sueco Carl Gustav Hedberg é designado para chefiar as recém estabelecidas minas de ferro de Sorocaba. Ele efetuou várias construções de grande porte (primeiras rodas d’água para fins de serraria, ponte, represou Rio Ipanema para obtenção de força hidráulica e estabeleceu a fábrica de ferro). O sueco, por não obter muito sucesso com o empreendimento, foi substituído pelo engenheiro alemão Frederico Luiz Guilherme de Varnhagen, que construiu dois altos-fornos no local (ferro liquefeito) em novembro de 1818.

Fonte: Aracoiaba.gov

 

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