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O Etanol pode prejudicar o Meio Ambiente?

19/06/2017

Quando o Pró-Álcool ou Programa Nacional do Álcool foi criado em 14 de novembro 1975, pelo decreto n° 76.593, o principal objetivo era reduzir a dependência do Brasil em relação ao petróleo, em especial após a crise internacional deste tipo de combustível, que começou em 1973 e se tornou ainda mais grave em 1979.

Foram vários modelos de carros que começaram a surgir a partir dos incentivos dados pelo governo brasileiro à produção e ao consumo do álcool como combustível.

De acordo com a história automobilística brasileira, divulgada pela Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, o primeiro automóvel produzido em série com motor a álcool foi o modelo Fiat 147, lançado em 1979.

No mesmo ano, o álcool passou também a ser aplicado em veículos pesados.

Em 1979, a General Motors lançou um motor a álcool para ônibus e caminhões, de 6 cilindros e 170 cavalos. Uma das experiências mais marcantes foi neste mesmo ano, quando a Viação Urubupungá, de Osasco, testou um Monobloco Mercedes Benz O 364 com álcool aditivado. O veículo, prefixo 1070, rodou por alguns meses, na linha intermunicipal Ponte Pequena – São Paulo X Barueri. Foi sucesso para época, mas após alguns anos de uso, começou a apresentar problemas na operação, como menor rendimento em relação aos outros ônibus a diesel convencionais. O veículo foi chamado na época de “Pinguinha da Urubupungá”.

O que nasceu com pretexto majoritariamente econômico, logo ganhou um apelo ambiental.

Segundo dados AIE – Agência Internacional de Energia, a utilização de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar reduz em média 89% a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa – como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (NO2) – se comparado com a gasolina.

Mas será que o uso do etanol só traz vantagens ambientais?

Um estudo publicado na Revista Nature do pesquisador da Universidade Nacional de Cingapura, Alberto Salvo e do físico- químico da Universidade Northwestern, Franz Geiger, sugere que o etanol usado em veículos pode causar problemas ambientais que vão muito além do plantio e queima do que restou da colheita da cana-de-açúcar.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores internacionais analisaram a situação de São Paulo.

De acordo com o trabalho, de 2009 a 2011, houve uma elevação no preço do etanol enquanto que o governo mantinha política de controle de preços dos derivados de petróleo para conter a inflação. As pessoas começaram a consumir mais gasolina de novo. O uso do combustível à base de petróleo subiu de 42% para 68% entre os veículos leves.

Ainda de acordo com o monitoramento dos pesquisadores, enquanto o consumo do etanol nos veículos estava alto, também aumentou a quantidade de Ozônio – O3, que é um poluente urbano que pode causar graves problemas respiratórios. O ozônio O3 se forma quando a luz solar desencadeia reações químicas envolvendo hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio emitidos pelos veículos.

Os pesquisadores, com base nos dados das estações oficiais de monitoramento do ar, perceberam que enquanto o consumo de gasolina subiu , houve uma queda de 15 microgramas por metro cúbico (15 μgm -3 ) na concentração de ozônio ao nível do solo, para baixo a partir de uma média de 68 dias da semana μgm -3 .

O estudo deixa bem claro que não é uma questão de defender a gasolina ou qualquer outro derivado de petróleo, que também trazem sérios problemas ambientais, como o aumento dos níveis de óxidos de nitrogênio, substância responsável diretamente por graves males à saúde pública. Entretanto, o estudo de 2014, alerta para necessidade de mais cautela em relação à classificação do etanol como combustível verde.

A discussão atualmente ganha importância diante da licitação dos transportes coletivos na cidade de São Paulo. Uma das opções para os ônibus emitirem menos gás carbônico são os modelos a etanol. Se as conclusões do estudo estiverem acertadas, esta também deve ser uma discussão em relação aos transportes coletivos.

O Diretor da L’Avis Eco-Service, especialista em transporte sustentável, que também é fundador e Secretário Executivo da Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP, Olimpio Alvares, se preocupa em relação ao etanol e ozônio. O especialista disse ao Diário do Transporte que defende a realização de outros estudos. Olimpio também diz que o diesel também é perigoso quanto ao ozônio. “O diesel também contribuiu para a formação do ozonio, porque o NO2, contido no NOx – gerado pelo combnistível, é um precursor da formação do O3. Portanto, do ponto de vista do O3, quanto menos diesel melhor também”.

Fonte: Ádamo Bazani / Diário do Transporte

 

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