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Setores público e privado se unem para aprimorar segurança nas estradas

11/09/2017

Os números mundiais impressionam. Por ano, 1,3 milhão de pessoas morrem em acidentes com veículos, e entre 20 milhões e 50 milhões ficam feridas – um contingente semelhante ao da população de Minas Gerais ou da Austrália. A urgência em frear essas cifras fez a Organização das Nações Unidas (ONU) lançar, em 2011, a Década de Ação pela Segurança no Trânsito, coordenando esforços para reduzir os índices pela metade até 2020.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), braço da ONU que capitaneia a campanha, deixou claro que seria necessária a participação de todos os segmentos, não só dos governos. Um grupo de empresas engajou-se no tema e criou, em 2014, a iniciativa

Together for Safer Roads (TSR, Juntos por Rodovias mais Seguras). A ideia é fazer com que “conhecimentos, dados, tecnologias e redes de contatos sejam usados colaborativamente com governos, legisladores e outros interessados no assunto da segurança nas estradas”, explica o presidente da entidade, David Braunstein.

No início, eram três companhias. Hoje, são 15. O crescimento é sinal da importância que o setor privado tem dado ao tema desde a implantação do programa das Nações Unidas, avalia Braunstein.

Entre seus membros estão empresas tão diferentes quanto a gigante de bebidas AB InBev (dona da Ambev), a seguradora AIG, a empresa de entregas UPS, a companhia de tecnologia IBM e a administradora espanhola de rodovias Abertis – acionista, ao lado da Brookfield, da Arteris (estão sob sua gestão nove concessionárias, entre elas as responsáveis pela Régis Bittencourt e pela Fernão Dias).

UNIÃO DE ESFORÇOS

A diversidade de negócios representada na TSR é um indicativo, segundo Braunstein, de que “todas as empresas, não importa seu campo de atuação, precisam tornar mandatório o investimento na segurança do trânsito”.

Esse engajamento se justifica por si só – reduzir o número de óbitos já é motivo suficiente –, mas há outro fator essencial: o problema afeta diretamente o setor privado. Segundo a TSR, do 1 bilhão de veículos em circulação no mundo, 300 milhões são corporativos.

Além disso, colisões, atropelamentos, capotamentos e ocorrências similares custam dinheiro. A OMS estima que as perdas ligadas a ferimentos e mortes nas estradas cheguem a US$ 518 bilhões ao ano, boa parte relacionada a despesas com serviços de saúde e reabilitação. Os jovens são vítimas frequentes – acidentes representam a principal causa global de morte entre pessoas com 15 a 29 anos.

Como a questão atinge todos os tipos de países (embora os pobres sofram mais), a diversidade geográfica de atuação da TSR é tão ampla quanto os ramos de negócios de seus membros, e abrange basicamente todos os lugares em que eles atuam.

Os resultados estão aparecendo. Na cidade chinesa de Xangai – onde se registravam 3,73 mortes no trânsito para cada 100 mil pessoas, o dobro de Hong Kong (1,7) e Tóquio (1,6) –, a TSR estabeleceu uma colaboração entre setor privado, governo, academia e organizações não governamentais. A finalidade, conta Braunstein, era identificar pontos de colisão, melhorar a segurança na condução de veículos comerciais e educar os motoristas. De 2015 a 2016, segundo o presidente da entidade, a força-tarefa conseguiu zerar as fatalidades na rodovia Longwu, uma das principais da região.

PROGRAMA-MODELO

E no Brasil? Muitos membros da TSR têm negócios por aqui, então o País também entrou em seu raio de ação. E com resultados tão bons que uma das iniciativas está sendo levada a outros lugares do mundo.

Trata-se do programa Vida Dê Preferência: Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, que une o governo de São Paulo e parceiros privados como a Ambev e a Arteris. Um dos eixos do programa é levantar dados precisos sobre acidentes (local, perfil da vítima, tipo de veículo) para, então, traçar políticas públicas que combatam o problema.

De 2015 a 2016, o programa paulista trouxe um declínio de 5,8% nas mortes. Em 15 municípios prioritários, a queda foi ainda maior, de 10,7%. E a estimativa é que 2017 se encerre com novo recuo, de 8%. “A TSR apresentará o projeto em um encontro internacional sobre segurança nas rodovias com o objetivo de buscar sua adoção global”, conta Braunstein.

Na Régis Bittencourt, uma série de medidas – incluindo melhoria em infraestrutura e manutenção frequente de pista e sinalização – conseguiu diminuir pela metade a quantidade de óbitos, cumprindo a meta da ONU (leia mais nas páginas 4 e 5).

“Nós cuidamos de 3.250 quilômetros de vias, e sabemos sobre cada ponto onde há um acidente: o porquê, mapeamos os locais críticos e atuamos”, diz o diretor presidente da Arteris, David Díaz. “Por exemplo, podemos mudar o traçado da estrada ou, em casos de atropelamentos, construir passarelas.”

AÇÕES COLABORATIVAS

Uma medida fundamental para conseguir melhorias como essas é recorrer a mobilizações intersetoriais – uma das diretrizes preconizadas pela TSR. “Fazemos um trabalho com caminhoneiros para ressaltar a importância do descanso e da alimentação saudável na prevenção de acidentes nas rodovias”, conta Díaz. “Também incentivamos a manutenção dos caminhões, principalmente em regiões serranas.”

A companhia mantém ainda parcerias com a academia – há projetos com a Universidade Federal de São Carlos (pesquisa sobre tipos de fiscalização mais eficiente) e com a Escola Politécnica da USP (cátedra para incentivar estudos de engenharia e segurança de trânsito).

Até mesmo quem ainda não dirige está no foco da empresa. “Temos um projeto de médio e longo prazo para promover educação para o trânsito”, conta Díaz (leia mais sobre o Projeto Escola na página 7). Iniciativas similares vêm sendo adotadas pela Abertis nos outros países onde administra rodovias.

“Fazemos muitas ações de pedagogia, temos de acompanhar as pessoas durante toda sua vida”, declara o diretor de relações institucionais da multinacional espanhola, Sergi Loughney. “Os jovens, por exemplo, precisam saber que não são super-homens. Após os 65 anos, já entram questões médicas em jogo.”

A educação tem papel crucial na meta mais ambiciosa da Abertis: zerar a fatalidade no trânsito. “Por mais que melhoremos a infraestrutura das estradas, há questões que só se resolvem educando os motoristas”, comenta Loughney.

O Programa Vida de Preferência reduziu em 5,8% o número de mortes nas rodovias do Estado de São Paulo de 2015 a 2016. A Estimativa é encerrar 2017 com recuo de 8%.

Via: Associação Nacional de Transportes Públicos

 

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